Boa noite! Começo hoje uma série de postagens (serão, ao todo, quatro álbuns) em homenagem ao meu amigo Milan Filipovic, um sérvio apaixonado pela Música Brasileira - e, em espcial, pela cantora Waleska, que mantém o inacreditável (e sempre atualizado!) blog
Parallel Realties Studio.
Pois bem, além de trazer sempre ótimos e procurados álbuns, o Milan tem uma
listinha - "The Santa Claus Wish List" - dos discos que ele ainda está procurando e que ninguém ainda teve a bondade de postar. Daí, como alguns desses LPs eu mesmo possuo, resolvi postá-los por aqui.
Para começar, vem o álbum de 1972 gravado por Angela Maria, uma de minhas cantoras preferidas.
Nos anos setenta, talvez Angela já não tivesse o brilhantismo do repertório de vinte anos atrás e nem o imenso sucesso dos anos 60. Porém, era uma cantora ainda muito em voga e vivia lançando LPs e compactos pela Copacabana. Havia se mudado daqui do Rio para São Paulo em busca de um recomeço e, desde 1970, começava a gravar coisas de mais prestígio (duraria até mais ou menos 1975 esta fase), sem, contudo, deixar de cantar seu repertório mais popular.
Seus discos de 1970, 1971 e este de 1972 são um reflexo disto: ao lado de
Gente Humilde,
Último Desejo, Viola Enluarada, os Argonautas (do LP de 70),
Valsinha e Feitio de Oração (em 1971) e
Pérola Negra e
Luzes (no presente disco), Angela mandava ver boleros, tangos e versões, recheando seu embornal com dramalhões sem fim que guiariam sua carreira dali para frente. No entanto, nestes três discos, essa mistura eclética ficou bem aceitável - embora a presença constante do baixo de notas previsíveis e órgão hammond torne algumas faixas um tanto maçantes.
No LP de 72, a bola da vez é o sucesso
Pérola Negra, de Luiz Melodia, que Angela canta com segurança e acompanhada por um excelente arranjo. Da mesma maneira, a cantora navega pelos mares do sambão (que, creio eu, ainda não tinha esse nome na época).
Moça Branca da Favela chegou a fazer um relativo sucesso, porém as outras duas seleções neste estilo -
Se a Água Corre pro Mar e
Encabulada não tocaram muito, o que é uma pena, visto que a interpretação de Angela Maria para
Encabulada, de Antonio Carlos e Jocafi ficou bem interessante.
Já na seara
popular, a cantora abre com
Guitarra Toque Mais Baixo, versão do sucesso de Nicola di Bari que fazia bastante sucesso na época.
E
m
Sorri, Angela deixa de lado a versão bonitinha que João de Barro havia feito para a música vinte anos antes e grava nova letra (menos inspirada) de Nazareno de Brito. Outro sucesso popular é
Look Around and you'll find me There, cantada por Vince Hill, mais uma vez, em versão de Nazareno de Brito.
O que para alguns poderia parecer uma música sem importância -
Pra Sempre te Adorar, versão de Hamilton di Giorgio (cantor que não chegou a fazer grande sucesso, na época de Celly Campello) para
I Can't Stop Loving You se revelou uma grata surpresa: a capacidade vocal de Angela Maria é aproveitada como cantora de blues com grande efeito. Chega a dar água na boca em pensar nas músicas que Angela poderia gravar no estilo.
A todos os leitores do Blog e a meu amigo Milan, espero que gostem!
Faixas:
01 - Guitarra Toque mais Baixo [Chitarra Suona Più Piano] [Evangelisti - Di Bari - Marrocchi - vs: Nazareno de Brito]
02 - Sorri [Smile] [Chapin - Turner - Parsons - vs: Nazareno de Brito]
03 - Minha Casa [Sílvio Cesar]
04 - Olha em Torno e me Encontrarás [Look Around and You'll Find me There] [Lai - Mark - Simon - vs: Nazareno de Brito]
05 - Pra Sempre de Adorar [I Can't Stop Loving You] [Don Gibson - vs: Hamilton di Giorgio]
06 - Pérola Negra [Luiz Melodia]
07 - Moça Branca da Favela [Jorge Costa]
08 - Se a Água corre pro Mar [Jacobina]
09 - Luzes [Taiguara]
10 - Minha Mãe, Minha Amiga [Luiz Américo - Antonio Braga]
11 - Encabulada [Antonio Carlos - Jocafi]
12 - Tarde Fria [Poly - Henrique Lobo]
Arranjos:
Léo Peracchi,
Daniel Salinas e
Maestro Zezinho.
Copacabana CLP 11.687. Estereofônico.
Toque o microssulco,
aqui.