segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Naturalmente [1959]

Eu havia planejado fazer um outro Post da Elizeth Cardoso: o LP Falei e Disse, de 1970, que eu achei este sábado na Praça XV (obrigado, Gabriel!), mas, dado o elã com que o seu antigo dono ouviu o disquinho durante décadas a fio, vou precisar de muita paciência para conseguir fazer uma transferência decente do vinil para mp3.

Por isto, e para não perder o mote da Elizeth, decidi postar este Naturalmente, de 1959. Embora ele seja uma figurinha fácil nos Blogs, é um disco irresistível: Desde os arranjos de Severino Filho (dos Cariocas) até o violão de João Gilberto em algumas faixas, tudo é muito bacana. Eu, particularmente, gosto muito de "Na Cadência do Samba", de Luiz Bandeira (o tema do Canal 100), de "Praça Sete", da bissexta compositora e cantora Marília Batista e da Toada "Sozinha".

Faixas:

01 - É Luxo Só (Ary Barroso - Luiz Peixoto)
02 - Suas Mãos (Pernambuco - Antonio Maria)
03 - Olhe-me, Diga-me (Tito Madi)
04 - Praça Sete (Marília Batista - Sebastião Fonseca)
05 - Onde Estará meu Amor (Lina Pesce)
06 - Sozinha (A. Carlos de Sousa e Silva - G. Mendonça)
07 - Na Cadência do Samba (Luiz Bandeira)
08 - Jogada pelo Mundo (Ary Barroso)
09 - Você Voltou (Nelson Souto - A. Carlos de Sousa e Silva)
10 - Pedestal (Marília Batista)
11 - Fui Procurar Distração (Tito Madi)
12 - E Nada Mais (Cesar Siqueira - Maria Rita)

Copacabana CLP 11.091. Alta Fidelidade.
Toque o microssulco, aqui.

domingo, 18 de outubro de 2009

Joias de Julie Joy [1958]

Taí um disco que eu pensei que nunca ia encontrar - mas não é que eu achei?

Julie Joy, nossa última Rainha do Rádio, é apresentada aqui hoje em seu único Long Play, gravado pela Columbia em 1958. Com arranjos de Renato de Oliveira, Julie desfila sua potente voz por músicas de sucesso da época, neste disco cujos carros-chefe são êxitos "Sombras", versão de Truly e "Tinha Que Ser", lançadas previamente em 78 rotações.

Embora possuidora de grande talento, infelizmente Julie gravou muito pouco: apenas 5 discos de 78 rotações (dois pela Sinter e três pela Columbia), o presente LP e uma participação no disco "Concerto Brasileiro de Jazz", também pela Sinter.

Como bônus para o álbum, coloco também as duas faixas de seu último 78, que contou com arranjos de Lyrio Panicalli (sob o pseudônimo de Bob Rose).
Faixas:


Julie Joy com Renato de Oliveira e sua Orquestra

01 - Podes Voltar (Othon Russo - Nazareno de Brito)
02 - Até Que...[Till] (Sigman - Danvers = Versão: Oswaldo Santiago)
03 - Prisioneira (Nazareno de Brito)
04 - Adeus, Primavera Sentida (Odilon Noronha)
05 - Tarde Demais (Athayde Julio)
06 - Sombras [Truly] (A. Iavello - Johnny Mercer - Versão: Arierepe)
07 - Era Mentira (Nelson Gomes - Moacyr Vieira)
08 - ...E a Chuva Parou (Ribamar - Esdras P. da Silva - V. Freire)
09 - Serenata (Leroy Anderson - M. Parish - J. Piante - versão: Othon Russo)
10 - Não Sei Porque [Carrossel] (Nélio Ortiz - Fernando César)
11 - Não me Culpe (Dolores Duran)
12 - Tinha que Ser (Fernando César)

Julie Joy com Bob Rose e Seu Conjunto

13 - Você Não Tem Razão [Tum-ba-lov] (Bartel - Burns - Magio - versão: Renato Corte Real)
14 - Quero Sonhar [Early to Bed] (J. Gluck Jr - F. Tobias - versão: Renato Corte Real)

Columbia LPCB-37.009, Alta Fidelidade.
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sábado, 10 de outubro de 2009

Modinhas [1970]

Inezita Barroso é daquelas cantoras de quem só se podem esperar bons álbuns - não importa o que ela decida gravar. É o caso deste disco de Modinhas que apresento hoje.

O tema do disco caiu como uma luva na voz possante de nossa cantora, que embora sempre esteve mais ligada à música folclórica de modo geral, se saiu muito bem nesta gravação.

Os arranjos são do maestro radicado em São Paulo Élcio Alvarez e, mesmo que não haja indício nenhum na capa, acredito que o violão seja tocado pela própria Inezita Barroso. O repertório muito lembra o disco "Modinhas Fora de Moda", gravado por Lenita Bruno para a Festa em 1958, porém Inezita soube imprimir seu toque pessoal e personalíssimo a cada uma das músicas.

Todas as faixas são agradabilíssimas e de muito bom gosto, mas meu destaque vai para a excelente "A Casinha da Colina" e a sempre presente "Conselhos".

Faixas:

01 - Foi Numa Noite Calmosa (Adpt. Élcio Álvarez)
02 - Gondoleiro do Amor (Adpt. Inezita Barroso)
03 - Modinha (Villa-Lobos - Manuel Bandeira)
04 - A Casinha da Colina (Adpt. Élcio Álvarez)
05 - Último Adeus de Amor (Adpt. Mário de Andrade)
06 - Nhapopê (Tradicional - Adpt. Inezita Barroso)
07 - Roseas Flores da Alvorada (Adpt. Mário de Andrade)
08 - Canção da Felicidade (Barroso Neto - Nosor Sanches)
09 - Coração Perdido (Adpt. Mário de Andrade)
10 - Conselhos (Carlos Gomes)
11 - Hei de Amar-te Até Morrer (Adpt. Mário de Andrade)
12 - A Casa Branca da Serra (Guimarães Passos)

Copacabana. CLP 11.613. Alta Fidelidade.
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sábado, 3 de outubro de 2009

Pra Matar Saudade [1976]

Concluo hoje a série dos quatro álbuns prometidos da lista do Milan focalizando, desta vez, a bissexta cantora Maria Thereza.

Mais conhecida pelo seu nome artístico completo - Maria Thereza Mecha Branca, foi lançada pela Copacabana através de um LP em 1960. Fazia um pouco a linha da Maysa, e também era uma cantora "da sociedade" - pelo menos é o que nos conta a contra-capa do seu primeiro disco. Não sei até que ponto este álbum de estreia fez sucesso, mas a julgar pela quantidade de relançamentos que teve (pela própria Copacabana e subsidiárias SOM e Beverly), é de se esperar que tenha feito uma bonita carreia ao longo dos anos.

O importante é que ele abriu portas para Maria Thereza voltar à Copacabana (mesmo que somente alguns anos depois), primeiro com um compacto duplo e depois com um LP "Novamente, Mecha Branca", este sim uma raridade.

Corta para 1976. Quando parecia que a roda do tempo havia parado, ressurge Maria Thereza com este LP da Odeon (ainda gravaria mais um antes de encerrar a carreira definitivamente, em 1979). Pra Matar Saudade é um álbum muito bem produzido, com arranjos que, se não são tão sofisticados, ao menos casam muito bem com a voz de Maria Thereza.

Segundo o texto de Aramis Millarch, resgatado no Tabloide Digital, neste disco Maria Thereza está em grande forma, "com a beleza madura de uma mulher que assume o seu tempo e sua época, amparada em um repertório excelente", repertório este composto basicamente de músicas dos anos 50 mescladas com músicas românticas bem conhecidas da época, mas que não dismerecem o LP, visto que "a sensibilidade da intérprete as valoriza - e muito".

Faixas:

01 - Mecha Branca (Maria Thereza)
Castigo (Dolores Duran)
Eu Não Sou de Reclamar (Lupicínio Rodrigues)
Franqueza (Denis Brean - Osvaldo Guilherme)
Se Eu Morresse Amanhã de Manhã (Antônio Maria)
Não Tenho Você (Ari Monteiro - Paulo Marques)
Chuvas de Verão (Fernando Lobo)
02 - Proposta (Roberto Carlos - Erasmo Carlos)
03 - Nunca Mais (Dorival Caymmi)
04 - Se o Tempo Entendesse (Marino Pinto - Mário Rossi)
05 - Pra Você (Silvio César)
06 - Tarde Triste (Maysa)
07 - O Show Já Terminou (Roberto Carlos - Erasmo Carlos)
08 - Apelo (Baden Powell - Vinicius de Moraes)
09 - Até Mesmo Você (Maria Thereza)
10 - Universo no Teu Corpo (Taiguara)
11 - Viagem (João de Aquino - Paulo César Pinheiro)
12 - Você (Poema) (Maria Thereza)

Odeon. MOFB 3.914. Estereofônico.
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sábado, 26 de setembro de 2009

Hebe e Vocês [1963]

Trago hoje o terceiro LP da série de álbuns que compõe a lista dos discos desejados do Milan Filopovic, e o álbum escolhido é o "Hebe e Vocês", da cantora e apresentadora Hebe Camargo, gravado para a Polydor em 1963.

Com arranjo do Maestro Gaya, Hebe voltava à carreira de cantora que estava meio parada desde que gravara o álbum "ao vivo-fake" Hebe Comanda o Espetáculo, em 61. E, diferente da enorme quantidade de versões e rock-baladas que a Odeon lhe impunha disco após disco, na Polydor Hebe conseguiu montar um repertório que ia desde a toada, do samba-canção até a bossa-nova, com o requinte de orquestrações de Lindolpho Gaya.

Não deixa de ser um disco um tanto irregular, aliás como quase todos que Hebe lançou. Porém, a cantora está em ótima forma e músicas como "Prelúdio pra Ninar Gente Grande" e "Esquecendo Você" já valem pelo disco todo.


Faixas:

01 - Samba Em Prelúdio (Baden Powell - Vinicius de Moraes)
02 - As Estações do Amor (Sergio Malta)
03 - Chuva (Hervé Cordovil - Armando Rosa)
04 - Assim Assim (Elzo Augusto)
05 - Encontro à Tarde (Vinicius de Moraes - Lindolfo Gaya)
06 - Caminhando (Luis Bandeira)
07 - Prelúdio Pra Ninar Gente Grande (Luis Vieira)
08 - Saudade É Saudade Mesmo (Glenio Peres)
09 - Quem Foi (Ribamar - Dolores Duran)
10 - Ainda Bem (Fernando César)
11 - Esquecendo Você (Tom Jobim)
12 - Ponhom Pom Pom (Catulo de Paula)

Polydor LPNG 4.068. Alta Fidelidade.

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sábado, 19 de setembro de 2009

É Breve o Tempo das Rosas [1976]


Continuando a série de postagens da "Santa Claus Wish List" de Milan Filopovic, trago hoje o último LP gravado pela requintada cantora Helena de Lima.

Moradora do Flamengo há muitos anos, como muitos sabem, Helena fez grande sucesso com seus shows na Boate Cangaceiro, aqui em Copacabana (a boate ficava ali na Fernando Mendes, rua próxima ao Copacabana Palace). Gravou dois discos na Continental (um ainda em dez polegadas), oito na RGE durante os anos sessenta, um pela RCA Victor, um pelo Museu da Imagem e do Som e. após um recesso de sete anos, este seu derradeiro disco pela Tapecar.

Nos anos setenta, a Tapecar era uma pequena-gigante da indústria nacional. Embora fosse um selo regional (o grosso de seu cast era aqui do Rio e, pelo menos eu não conheço nenhum artista da Tapecar que fosse de outro lugar), lançando poucos LPs por ano, tinha sempre seus discos nas paradas e nomes de peso como Elza Soares e Beth Carvalho, ambas vindas da Odeon e com muita vontade de gravar samba de verdade - o que conseguiram, com grande êxito, que garantiram prestígio e alta vendagem à pequena gravadora de Bonsucesso.

Foi nesse Clima que Helena de Lima gravou seu LP em 1976, com produçao de Romeu Nunes. O repertório é o clássico repertório de Helena: Sambas, Canções e Marchas-Rancho, com roupagem atualizada mas sem esquecer daquele erre gutural que só Helena de Lima sabe fazer tão bem.

Quando eu fui pensar no que escrever sobre o disco, eu ia dizer que este era o melhor disco de Helena, porém, cheguei rápido à conclusão óbvia de que todos os discos de Helena são os melhores, todos são os pontos altos de sua sólida carreira - e Helena de Lima nunca gravou um disco "mais ou menos".

Fico contente também em constatar que com a publicação deste LP, conseguimos fechar a discografia de álbuns de Helena de Lima disponível na internet. Afinal, Helena está aí para todos, em todos os seus discos.

Faixas:

01 - É Breve o Tempo das Rosas (Lauro Miranda - Glauco Pereira)
02 - Varinha de Condão (Catulo de Paula - Fernando Lopes)
03 - Carinho Morno (Dedé da Portela - Sergio Fonseca)
04 - Mormaço (João Roberto Kelly)
05 - Samba de Escola (Luis Antônio)
06 - Arte de Bem Viver (Luis de França - Nelson Bastos)
07 - Carnaval Pra Valer (Miguel Gustavo)
08 - O Telefonema (Carlito - Romeo Nunes)
09 - Esqueça (Delcio Carvalho)
10 - Quem Viu Gostar Assim (Fernando César - João Leal Brito)
11 - Lá Absoluto (Glauco Pereira - Lauro Miranda)
12 - Nós Dois (Carolina Cardoso de Menezes - Armando Fernandes)

Tapecar. XLP 35. Estereofônico.
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domingo, 13 de setembro de 2009

Angela [1972]


Boa noite! Começo hoje uma série de postagens (serão, ao todo, quatro álbuns) em homenagem ao meu amigo Milan Filipovic, um sérvio apaixonado pela Música Brasileira - e, em espcial, pela cantora Waleska, que mantém o inacreditável (e sempre atualizado!) blog Parallel Realties Studio.

Pois bem, além de trazer sempre ótimos e procurados álbuns, o Milan tem uma listinha - "The Santa Claus Wish List" - dos discos que ele ainda está procurando e que ninguém ainda teve a bondade de postar. Daí, como alguns desses LPs eu mesmo possuo, resolvi postá-los por aqui.

Para começar, vem o álbum de 1972 gravado por Angela Maria, uma de minhas cantoras preferidas.

Nos anos setenta, talvez Angela já não tivesse o brilhantismo do repertório de vinte anos atrás e nem o imenso sucesso dos anos 60. Porém, era uma cantora ainda muito em voga e vivia lançando LPs e compactos pela Copacabana. Havia se mudado daqui do Rio para São Paulo em busca de um recomeço e, desde 1970, começava a gravar coisas de mais prestígio (duraria até mais ou menos 1975 esta fase), sem, contudo, deixar de cantar seu repertório mais popular.

Seus discos de 1970, 1971 e este de 1972 são um reflexo disto: ao lado de Gente Humilde, Último Desejo, Viola Enluarada, os Argonautas (do LP de 70), Valsinha e Feitio de Oração (em 1971) e Pérola Negra e Luzes (no presente disco), Angela mandava ver boleros, tangos e versões, recheando seu embornal com dramalhões sem fim que guiariam sua carreira dali para frente. No entanto, nestes três discos, essa mistura eclética ficou bem aceitável - embora a presença constante do baixo de notas previsíveis e órgão hammond torne algumas faixas um tanto maçantes.

No LP de 72, a bola da vez é o sucesso Pérola Negra, de Luiz Melodia, que Angela canta com segurança e acompanhada por um excelente arranjo. Da mesma maneira, a cantora navega pelos mares do sambão (que, creio eu, ainda não tinha esse nome na época). Moça Branca da Favela chegou a fazer um relativo sucesso, porém as outras duas seleções neste estilo - Se a Água Corre pro Mar e Encabulada não tocaram muito, o que é uma pena, visto que a interpretação de Angela Maria para Encabulada, de Antonio Carlos e Jocafi ficou bem interessante.

Já na seara popular, a cantora abre com Guitarra Toque Mais Baixo, versão do sucesso de Nicola di Bari que fazia bastante sucesso na época. Em Sorri, Angela deixa de lado a versão bonitinha que João de Barro havia feito para a música vinte anos antes e grava nova letra (menos inspirada) de Nazareno de Brito. Outro sucesso popular é Look Around and you'll find me There, cantada por Vince Hill, mais uma vez, em versão de Nazareno de Brito.

O que para alguns poderia parecer uma música sem importância - Pra Sempre te Adorar, versão de Hamilton di Giorgio (cantor que não chegou a fazer grande sucesso, na época de Celly Campello) para I Can't Stop Loving You se revelou uma grata surpresa: a capacidade vocal de Angela Maria é aproveitada como cantora de blues com grande efeito. Chega a dar água na boca em pensar nas músicas que Angela poderia gravar no estilo.

A todos os leitores do Blog e a meu amigo Milan, espero que gostem!

Faixas:

01 - Guitarra Toque mais Baixo [Chitarra Suona Più Piano] [Evangelisti - Di Bari - Marrocchi - vs: Nazareno de Brito]
02 - Sorri [Smile] [Chapin - Turner - Parsons - vs: Nazareno de Brito]
03 - Minha Casa [Sílvio Cesar]
04 - Olha em Torno e me Encontrarás [Look Around and You'll Find me There] [Lai - Mark - Simon - vs: Nazareno de Brito]
05 - Pra Sempre de Adorar [I Can't Stop Loving You] [Don Gibson - vs: Hamilton di Giorgio]
06 - Pérola Negra [Luiz Melodia]
07 - Moça Branca da Favela [Jorge Costa]
08 - Se a Água corre pro Mar [Jacobina]
09 - Luzes [Taiguara]
10 - Minha Mãe, Minha Amiga [Luiz Américo - Antonio Braga]
11 - Encabulada [Antonio Carlos - Jocafi]
12 - Tarde Fria [Poly - Henrique Lobo]

Arranjos: Léo Peracchi, Daniel Salinas e Maestro Zezinho.

Copacabana CLP 11.687. Estereofônico.
Toque o microssulco, aqui.