domingo, 16 de janeiro de 2011

Roberto Menescal :: Bossa Nova [1963]


                Assim que chegou ao Brasil, em 1955, André Midani arranjou emprego na Odeon, que naquela época ocupava o primeiro andar do Edifício São Borja, na Cinelândia. Percebeu imediatamente que havia um filão ainda não explorado na música brasileira – o da música jovem e descobriu aí um potencial mercado a ser conquistado.
                Para ele, a música que correspondia aos anseios do jovem médio urbano era a Bossa Nova, gênero nascente com que estava muito entusiasmado, tendo sido apresentado por Chico Pereira, fotógrafo e colega da Odeon.
                A multinacional inglesa, que ainda era considerada uma gravadora de elite e tinha nomes de peso em seu catálogo, estava apostando em músicas de maior apelo comercial, valorizando muito os discos de artistas que conseguiam atingir as grandes camadas e que acabavam se tornando campeões de venda em 78 rotações. Por isto, não parecia muito interessante à gravadora investir em outros talentos,  baseando-se na política de “não se mexe em time que está ganhando”.
                De qualquer forma, Midani conseguiu, ao lado de Antonio Carlos Jobim, colocar na praça discos de João Gilberto, Sylvia Telles, Sérgio Ricardo e Lúcio Alves, além de “contratar” os meninos da bossa nova  - Carlos Lyra, Roberto Menescal, etc. Digo “contratar” assim, entre aspas, pois o “contrato” que Midani firmou com eles não passava de um papel datilografado com valor legal nulo.
                Mesmo assim, o conjunto de Roberto Menescal conseguiu lançar um 45 rotações Duplo (ainda não se dizia “Compacto”) no início de 1960. A Odeon, contudo, dispensou os serviços de muitos de seus chamados “cantores de elite” – Aloysio de Oliveira, que era o diretor artístico, demitiu-se em solidariedade aos colegas e André Midani foi cuidar de sua própria gravadora – a Imperial, constituída como subsidiária e financiada pela própria Odeon, com a missão de oferecer discos de porta em porta.
                Deu certo e a Imperial conquistou uma grande porcentagem do total de vendas da Odeon, mesmo que seus títulos também tivessem grande apelo popular – seus lançamentos eram, em grande parte, de discos de música instrumental “para dançar” focalizados em ritmos específicos tais como o bolero, o tango ou o cha-chá.  Ainda assim, escondidos sob pseudônimos que hoje soam bem engraçados – Ivan Casanova, Mike Falcão, Pablo Gavilán, entre outros – estavam os arranjadores de primeiro time contratados da Odeon – Lindolpho Gaya, Léo Peracchi, Walter Wanderley, Tom Jobim.  
                Este disco marca o reencontro de André Midani com o gênero musical que tanto o encantou. Gravado nos estúdios da Odeon no início dos anos 60 (chutaria 1963, pelo número de catálogo do disco, em comparação com outros do mesmo período), trouxe um grande repertório de clássicos do movimento – Corcovado, Menina Feia, O Pato – acoplados a novas músicas – Garota de Ipanema, Rio, Vagamente – e uma interessante releitura de Andorinha Preta  é um LP que trouxe um time de primeira, infelizmente não creditado e pode ter sido o primeiro álbum de Roberto Menescal.



Faixas:


01 - Corcovado [Antonio Carlos Jobim]
02 - Garota de Ipanema [Antonio Carlos Jobim - Vinicius de Moraes]
03 - Quem Quiser Encontrar o Amor [Carlos Lyra - Geraldo Vandré]
04 - Menina Feia [Oscar Castro Neves - Luvercy Fiorini]
05 - Influência do Jazz [Carlos Lyra]
06 - Rio [Roberto Menescal - Ronaldo Bôscoli]
07 - Só Danço Samba [Antonio Carlos Jobim - Vinicius de Moraes]
08 - Andorinha Preta [Breno Ferreira]
09 - Fala de Amor [Tito Madi]
10 - O Pato [Jaime Silva - Neusa Teixeira]
11 - Vagamente [Roberto Menescal - Ronaldo Bôscoli]
12 - Nós e o Mar [Roberto Menescal - Ronaldo Bôscoli]

Imperial IMP 30.060. Estereofônico
Toque o microssulco, aqui.

1 comentários:

  1. Just stumbled upon this blog...
    Wanted to download, but the link goes to the Tito Madi album...Can you please o please upload a link for this one?

    Thanks!

    j.

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