domingo, 21 de fevereiro de 2010

Mario Reis Apresenta Sinhô [1951]

Mario Reis, o nosso cantor art-decó predileto, eterno morador do Posto 2 (primeiro da Viveiros de Castro, a seguir da Ronald de Carvalho e por fim na Avenida Atlântica — no Copacabana Palace), está hoje presente com seu famoso álbum de três 78 rotações com músicas de Sinhô.

Assim como este blog, Mario fez várias retiradas e voltas ao longo de sua carreira: em 1936, 1940, 1951, 1960, 1965 e, definitivamente, em 1971.

Em 1951, Braguinha, o compositor João de Barro, era o diretor artístico da Continental que havia promovido frisson no mercado ao lançar, no ano anterior, um revolucionário álbum com Aracy de Almeida, que se desdobrou em outro, os dois esgotados com grande sucesso.

A aparente "novidade" deste formado luxuoso de gravação, tornou-se, em seguida, procedimento quase comum das gravadoras, antes que se fixasse o formato definitivo do Long Play, em meados da década. Assim, a Sinter soltou seu álbum com Dick Farney além de vários outros, com repertório internacional oriundo do catálogo da Capitol americana (são notáveis o álbum do King Cole Trio e da cantora Yma Sumac). A Odeon, por sua vez, fez o mesmo com Francisco Alves e a RCA investiu em Vicente Celestino (cantando Catulo da Paixão Cearense, que depois virou LP), Luiz Gonzaga (comemorando seu jubileu artístico) e um inusitado Carlos Galhardo revivendo as músicas de Custódio Mesquita - todos muito bons.

Não sei se a Continental lançou mais alguma coisa além destas três seleções, mas o fato é que o álbum de Mario Reis fez grande sucesso - tanto é que as gravações mais conhecidas de "Jura" e "Gosto que me Enrosco" são as aqui presentes.

Segundo sua biografia, Mario havia sido convidado por Braguinha para estrelar esta seleção e, meio na dúvida de mais uma retomada da carreira, acabou vacilando e aceitou o convite. Gravou tudo no primeiro take (os arranjos já estavam prontos), elogiando muito o resultado final. Para si e para os amigos mais íntimos, no entanto, repetia que não havia gostado do álbum, afinal, Radamés Gnatalli havia acelerado e modernizado demais os sambas dolentes e cadenciados de Sinhô: por ele, mandava tirar da aposentadoria o velho Simon Bountman.

Mesmo assim, voltou ao estúdio para mais um 78, com a marcha "Flor Tropical", de Ary Barroso e "Saudade do Samba". A marcha até fez bonito no carnaval de 52, mas Mario não estava mais aí para defendê-la: havia abandonado a carreira mais uma vez e já estava escondido no apartamento número 05 do Edifiício Ribeiro Moreira, na praça do Lido, lendo seu Dostoievski de todo dia.

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Embora eu seja o feliz possuidor deste álbum, que aliás já está na minha família há 59 anos, tendo sido comprado "zero" por meu pai ou avô, possivelmente na Casa Carlos Gomes ou alguma outra da Rua da Carioca, minhas transferências de discos de 78 rotações ainda não estão suficientemente boas para que eu as apresente aqui.

Por isso, resolvi publicar as músicas apresentadas na reedição, já em LP, feita pela Continental em 1976, dentro da série "Ídolos MPB", volume 16, que focaliza justamente nosso querido Mario Reis.

Desta maneira, incluo também as demais faixas (que abrangem grande parte de suas gravações para a Columbia - inclusive seu sucesso Joujoux e Balangandãs) e a comentada Flor Tropical, além da capa, contra-capa e encarte.

Faixas:

Continental 16.454, 16.455 e 16.456 [09/1951], Standard:

01 - Jura (Sinhô)
02 - Sabiá (Sinhô)
03 - Fala Meu Louro (Sinhô)
04 - Gosto Que Me Enrosco (Sinhô)
05 - Ora Vejam Só (Sinhô)
06 - A Favela Vai Abaixo (Sinhô)

Continental 1-19-405-019 [1976], Standard:

07 - Joujoux e Balangandas (Lamartine Babo)
08 - Voltei a Cantar (Lamartine Babo)
09 - Deixa Esta Mulher Sofrer (Ary Barroso)
10 - Iaiá Boneca (Ary Barroso)
11 - Você Me Maltrata (X. Souza - A. Marques Júnior - R. Roberti)
12 - Flor Tropical (Ary Barroso)

Toque o microssulco, aqui.

2 comentários:

  1. Grande cantor, grande disco!

    Embora possa parecer obvio - pela coincidência dos nomes - gostaria de saber se há algum parentesco entre você e o lendário maestro Simon Boutman, dos primórdios da Odeon.

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  2. Parabéns pela postagem e pelo Blog! Um dos melhores blogs voltados à nossa música brasileira que conheço! Com postagens interessantes, com muita pesquisa de um jeito bem completo para a divulgação de pérolas de nossa música!

    Gostaria que pudesse divulgar o meu Blog entre os indicados no Blogrool do seu site; o seu já encontra nos recomendados do meu site.

    www.blogdamusicabrasileira.blogspot.com

    Abraço, parabéns!

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